terça-feira, 3 de março de 2026

Alanis

     Precisava desaparecer. Buscava a sensação de evaporar por alguns minutos como gasolina no asfalto quente. Era o que seu corpo sinalizava há horas. Talvez a loja de conveniência de um posto de combustíveis não fosse a escolha ideal, mas em seu planejamento sempre lógico, era o que havia de concreto. Sabia que horas depois, tanto cabeça quanto estômago sentiriam as consequências da decisão infeliz de almoçar cappuccino com bombom de morango. Mas estava irredutível diante da ideia de conseguir meia hora de sumiço terapêutico.

    O espaço cheio de pessoas cinzas debruçadas, mastigando com pressa, envolvidas em mais uma tarefa burocrática do dia. Conseguia ouvir o som dos dentes esmagando salgados sem graça, o sorver ruidoso de cafés e refrigerantes. Respingos, migalhas — tudo compondo uma sinfonia grotesca. Entre uma mordida e outra, as conversas seguiam um cardápio ainda mais previsível: personagens do Big Brother, o Carnaval recém passado, memes da internet, problemas no trabalho e, sobretudo, o que talvez componha noventa por cento das interações humanas: a vida alheia — temperada com queixas sobre suas próprias existências insossas.

    Afastou-se e avistou um espaço ainda em fase de acabamento: um deck envidraçado. Um aquário vazio sob o sol de verão. Um daqueles erros arquitetônicos que a classe média confunde com luxo. Ainda assim, silencioso. Ninguém ousaria estar ali naquela estufa improvisada. Era o que importava: o refúgio suficiente. Precisava de menos humanidade.

    Entrou e procurou o canto mais discreto, como sempre fazia. Enquanto apreciava a textura daquele silêncio, percebeu que já estava ocupado.

    A figura esguia de cabelos castanhos caindo até a cintura e roupas pretas  -usadas com aquela negligência calculada que apenas os observadores vorazes do mundo são capazes de ter - estava sentada no lugar escolhido bebendo o mesmo cappuccino e lia um livro, encolhida na quina. Uma coincidência tão perfeita que parecia encenada. A coincidência provocou um misto de entusiasmo e timidez. Bem diante de seus olhos uma sósia de Alanis de "Jagged Little Pill" à paisana.

    Murmurou um cumprimento que quase não chegou a ser ouvido. Ela respondeu com um gesto mínimo acompanhado de um olhar direto e profundo que não invadia. Não havia flerte nem sedução. Era reconhecimento. Como dois passageiros que se identificam no mesmo erro de trajeto.

    Sentou-se. Entre goles ansiosos do cappuccino havia a intenção de ler, mas as frases se desmanchavam; precisava voltar duas, três vezes. A presença dela deslocava o ar. A curiosidade cautelosa entre dois seres deslocados que, ao se perceberem, identificam no outro a mesma margem.

    Imaginou conversas sobre livros que ninguém termina, músicas que salvam dias assim. Talvez compartilhassem sobre a sensação de estar sempre ligeiramente fora de lugar. Devaneios até "Alanis" se levantar. Conseguiu ver o título: "contos de Edgar Allan Poe" junto com o aceno de cabeça. Caminhou em direção ao caixa com a mesma discrição com que estivera ali, deixando para trás o eco breve de uma cumplicidade eternizada neste conto, no intervalo entre páginas não lidas, conversas que não existiram e goles de café doce demais.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Faroeste Cabocla

Dona Terezinha ajudava a todos. Fosse lá quem fosse:  criança, velho, bicho, "maloqueiro", "puta" sem jamais julgar ninguém. Dava comida, roupa, água, qualquer coisa que não estivesse usando para quem quer que estivesse precisando. Dona Terezinha teve infância pobre. Nasceu no sítio e foi dada para uma família abastada da cidade criar e ter alguma chance de futuro. Isso foi logo depois da morte da irmãzinha que faleceu  com apenas 7 anos asfixiada por "lombriga". A família da pequena Olinda não tinha dinheiro para comprar a banana que ela tanto queria. Não tinham dinheiro. O feijão e a erva mate tinha que vingar. Caçavam bugio, porco do mato, galinha do vizinho e tudo mais que conseguissem engolir. Terezinha não gostava de bugio por achar que "parecia gente".  Depois dessa tragédia lá se foram as irmãs Terezinha e Iolanda aos 8 e 7 anos respectivamente viver na cidade grande. Mas não foram ajudar a família e estudar. Viveram 10 anos sob humilhações, migalhas e foram retiradas da escola na quarta série porque "empregada precisa só saber ler receita e fazer continha pra ser boa de cozinha" - como diziam suas "fadas madrinhas" .
Terezinha deu basta em um sonoro tapa na cara de uma delas e seguiu sua vida sem saber como. Saiu com trouxinha de roupa velha e a certeza de que precisava sobreviver  sem ser a puta que disseram que ela seria. Era final dos anos 60. Moça pobre, sozinha, sem família nem rumo na cidade grande já viu né... "se perde" mesmo!  Mas Terezinha remava contra a maré. Aos 18 anos já bem sofrida era muito da cascuda! Desbocada, altiva, faladeira e também muito teimosa a mocinha morena com olhos de céu decidiu que que não ia ser puta. Diziam que tinha olhos de santa mas esses não sabiam de nada... Foi copeira, empregada doméstica, dama de companhia, vendedora, teceu perucas,  foi costureira, bordadeira, caixa de mercado.... Tudo menos puta! Até conseguir seu tão sonhado diploma de enfermagem. Morou em pensão, convento, casa de família, fez supletivo, pagou estudo sozinha,  comeu pão com banana, pão que o diabo amassou, jantou água de torneira mas aos 27 era a Enfermeira Terezinha indo comprar seus sapatinhos brancos para ir trabalhar.  Eles sempre deformavam por conta dos pés tortos de meningite na primeira infância. Enfermeira Terezinha cuidava de todos como se fossem a família que ela nunca tivera. Dos pacientes ela ajeitava cobertas, travesseiro, ouvia atentamente as queixas de cada  um e dava conselhos. Mesmo depois do trabalho ela não tinha descanso. Fazia injeção, curativo em criança, bicho, velho e acolhia mulher que apanhava do marido. Dona Terezinha dizia debochada em seu tom de praga certeira: " se algum fiada mãe desses estiver bancando o besta pra cima de mim, se aproveitando não é comigo o negócio. Vai cair no rabo deles mesmos. É com eles mesmos que vão acertar as contas. Depois aparecem feito cão sarnento, todos ferrados na minha frente!" E era tiro e queda! Impressionante. Dona Terezinha sempre teve um quê de bruxa. Acabo de escrever às 22:22, o horário favorito dela. Jamais eu soube o motivo. Dona Terezinha era minha mãe.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Je suis desamée

A despedida foi rápida
como de dois estranhos
Lábios não mais se demoram.
Mãos sem entrelace
Abraço desencaixado.
Nada lembra "tanto amor".
Olhos preocupados 
relógios, movimentos, pressa.
Palavras casuais
saudade
de outra coisa qualquer.
"Te cuida" ao invés de "te amo".
Combinado assim!
Ninguém mais sofreria por ninguém

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Just

I.
Foi ficando cada vez mais paralisada por causa das brigas frequentes de seus pais.
Era tão pequena.
Tentava não ser frágil.
Não podia ser.
Às vezes ela ficava horas no banheiro em pé e completamente imóvel simplesmente porque era lá que por acaso ela estava quando tudo começava.
Poderia ser qualquer lugar.
Por fim nos momentos de calma começou a pegar garrafas de bebidas e as deixar em lugares onde mais tarde ela poderia ficar presa.
Seus pais não conseguiam entender por que achavam garrafas vazias pela casa toda.
Juízo debilitado, apatia, ansiedade, dores de cabeça, nervosismo, insônia, agitação, náusea, coceira, tremor, suor, espasmos...
ameniza
cura
ameniza
shhhhhh....

II.
Um alívio tão grande gostar.
Deitar na cama e ser abraçada.
Tocada e beijada.
Nunca soube receber afeto.
[Meu coração saltará quando ouvir tua voz.
Um sorriso espontâneo e o calor nas bochechas até ficar na ponta dos pés para tocar tua boca.
Então mentirei para nós desde o primeiro dia.
Te usarei para abafar minhas carências.
Farei tudo para te agradar.
Porquê eu te amo!
De um jeito torto e esquisito mas amo.
Partirei teu coração antes que parta o meu primeiro.
Por força do hábito.
Quem sabe você goste mais de mim a cada dia?
Até o peso se tornar insuportável.
Quando tua vida se tornar minha.
Você estará sozinho porque eu levarei o que quiser.
Irei embora sem dever nada.]
Saia deste lugar enquanto pode!
Antes que a cidade exploda!
Você é tão bonito.
Todos dizem...

III.
Está sempre lá.
Sempre esteve lá e eu não posso negar essa natureza.
É minha maldição.
Foda-se tudo isso...
Não estou para isso mais.
Não sou mais isso!
A verdade é que se você morresse seria como arrancassem meus ossos.
Eu entraria em colapso. Minha alma se esfacelaria em poeira cósmica.
Ninguém saberia o motivo.

IV.
Você tem relacionamentos com homens?
Você tem dificuldade em se relacionar com homens?
Minha dor não tem nada a ver com homens.

V.
Sou o tipo de mulher de quem as pessoas falam.
Eu não tenho música.
Como eu queria ter música mas tudo que tenho são palavras.
Palavras soltas e desconexas que não ousam ser poema.
Eu anseio pelo branco e preto
mas os pensamentos correm em cores vivas que dancam me fazendo ficar acordada
arrancando a quente coberta da invisibilidade toda vez em que ela promete sufocar minha mente.
Eu tento puxar para fora mas fica cada vez pior!
Não tem fim.
Nunca vai.

VI.
Engulo e finjo que não está lá.
Nada de mais.
Pareço até feliz para quem não está.
Você recebe essas mensagens confusas porquê eu tenho sentimentos confusos.
Desculpa meu amor.
Não me odeie assim.
Ninguém consegue me odiar mais do que eu mesma.
A privação de sono é uma forma de tortura.
Mas privação de amor é pior delas.

VII.
Porquê eu bebo tanto se a bebida não consegue me matar com a rapidez necessária?
Minha risada é uma bolha de desespero contido.
Eu escrevo sobre a verdade.
Pelo menos a minha verdade.
Isso me mata.
Mas ainda não com a rapidez necessária.
Eu odeio essas palavras que me mantêm viva.
Palavras que não me deixam morrer de vez!
Elas expressam um pouco da minha dor.
Mas jamais poderão aliviá-la.

VIII.
Ela não é má pessoa,
Só acha que pensa demais.
Agora.
Séria.
Nenhum desespero.
Nada de emoções.
Sexo burocrático e memória de peixe de aquário.
Lobotomia química em receitas lícitas.
Nunca guarde lembraças de um assassinato.
Outra vida.
Outra pessoa.
Eu não fiz nada!
Nada além dos meus limites.
Tão cansada de segredos.
Eu me dou.
Abro meu coração.
Apenas outra pessoa agora.
Aquela lá nunca existiu.

IX.
Ela está falando dela mesma na terceira pessoa
porque a idéia de ser quem ela é,
de reconhecer que ela é ela mesma
é mais do que seu orgulho pode suportar.
Ela morreu.
As pessoas morrem...
Todo mundo finge e se esconde.
Ninguém sobrevive à realidade se não fizer isso.
Ninguém quer saber como é a noite.
Fuja da noite!
Vc entende?
Talvez se entendesse não teria sobrevivido para me dizer que "entende".
A vaidade e o orgulho me mantém ilesa diante de todos.
Odeio o consolador e principalmente o consolado.
Eu me mudei para um estacionamento vazio.
Não quero mais sair de lá!
Perdi minha honestidade há tempos.
Você convive com alguém que não existe.
O que fizeram comigo?
Cresça e pare de culpar pessoas.
Acontece...
É assim mesmo.

X.
Vivo de um lado para outro.
Nunca pára.
Nunca isso ou aquilo.
Sempre de um extremo ao outro.
Minha vida não tem nada de especial,
Uma torrente de eventos casuais como outra qualquer.
Uma torrente para dentro de um oceano salgado que fere, fere, mas não mata.
Sorriso mecânico.
Mostre satisfação e interesse.
Agradeça a Deus acima de tudo.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Crônica de mais um natal entorpecido de uvas e rosas

"Só a morte vem nos mostrar que amávamos muito mais profundamente do que supúnhamos" (Baudelaire) [mas, se eu fosse como ele, com esse poder ou maldição, talvez escolhesse o mistério além da vida aos males tão sabidos]

O espírito penado do natal me faz lembrar de vc nesta época. Tudo lotado [supermercado e lojas iluminados horrivelmente com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar] - o último lugar do mundo onde você gostaria de estar - não dá nem para escapar daquele "boa tarde volte sempre" dito automaticamente em tom de morte. O tiro de misericórdia! Um breve resumo com gosto de peru e falsidade. Somos parecidas. Cada dia mais. Muito além do que eu pensava ser minha " confuguração padrão". Sobra tanta coisa para te contar em cada momento corriqueiro, gracioso, grandioso ou descartável e desprezivel nesse tempo todo eterno de 1 ano e tanto que passou desde que você foi embora. [no seco sem aviso prévio]
Queria te contar do meu trabalho novo, dos projetos que tenho para a casa e te ouvir discordando de cada detalhe deles. Te ouço criticando por eu ter arranjado mais um gato enquanto acaricia o bichinho apaixonada no colo. Queria que conhecesse meu namorado - aquela pessoa por quem eu esperei durante uns dez anos da minha vida. Um moço muito bonito e educado com quem vc adoraria trocar receitas e contar meu histórico de doenças desde antes de eu ter nascido. Fica aquela impressão de que vc sabia de tudo e deixou-se ir. Não julgo nem sinto raiva. Te entendo e te deixei ir sei lá para onde. É impossível chegar aos 30, 40, 50 ou...60 anos, sem querer dar um fim nisso tudo. Ou optar por um suicídio lento e silente. É sobre consciência – consciência do real e do essencial que estão escondidos na obviedade das coisas ao redor . Sobre esse milhão de mortes que você morreu antes de algum idiota qualquer ter carimbado o atestado de óbito! Eu lembro de todas as coisas que você me contava, - todos aqueles abusos e perversidades gratuitas - e me pergunto como vc permaneceu consciente e viva um dia depois do outro. Nesse tom aparentemente místico eu espero a cada noite adormecida uma nova visita. Como naquele sonho em que vc me chamou no quartinho de bagunça da casa para me contar que agora tudo estava tão bem e que não sentia mais dor [tantas dores físicas e emocionais]. Aquele abraço tão gostoso que era só sensação e saudade que ganhei acompanhado de um " filha que saudade!!" no banheiro de nossa antiga casa. Ia chorar mas acordei antes. Nunca gostei de chorar na frente dos outros. Nem mesmo que estejam mortos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Lena

Era assim, meiga e bonita na sua ignorância de criança. Apesar era autêntica, com uma maneira especial de ser Lena. E crescia como podia, como planta daninha, que mesmo sem cuidado chegava a ser bela como orquídea. Ia na igreja aos domingos e sexta na macumba.Queria ser freira, mãe de santo e bailarina. Já mulher teria uma casa só sua, enfeitada de quadros e bibelôs baratos. Dentro também queria seu homem. Ela venderia flores ,escreveria versos na estação e ele ficaria em casa. Faria qualquer coisa para que à noite estivesse com ela. Ele e Lena. Lena a mais tudo que houver no mundo.A mais mulher, a mais amante.No ônibus lotado ela sonhava. Sorria quando lhe dirigiam gracejos. Passo lento, cadenciado, boca úmida, cabelos ao vento, mais Lena do que nunca. Dançando no asfalto molhado, olhos brilhando no neon, fada, santa, bailarina, meretriz,Lena, colhia flores, possuía seu homem, pensava na casa,escrevia versos sem rima. Sonhava assim, cada vez mais Lena.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Sobre "AMÔRRRR" e outras doenças....

Rolando a timeline aleatoreamente me deparei com uma avalanche de teXtos, memes e posts sobre o Dia do Sexo. Viva a internê! E era amor, sexo, mágoa, chifre, indireta pra todo lado. Uia!!! Seguuuura o pom pom!!! E eu que acordei cedo demais para um feriado, comecei a pensar deitada no quentím da cama (e no cantím por causa do gato, e...percebam djá que tudo tem uma causa) sobre o tal de "AMORRRRR" (cuma?), uma, senão a maior das inquietações humanas sem qualquer dica de resposta.
A gente fala amor o tempo todo mas é cada pataquada! Não paramos para tentar entender um pouco do que isso significa. Da gama de possibilidades que a vida nos joga na cara todo santo dia. Ou da importância de amor para cada um. Se bota aí uma pitadinha de honestidade vai ver queisso tudo é muito íntimo, peculiar e beeem variável...
O que chamamos carinhosamente de "amor" é uma maneira de vestir, proteger e alimentar nossos demônios de estimação.E como a gente mima essa raça viu! - "Frustração, Carência, Solidão, Insegurança, Resignação, Mesquinhez, Ciúme, Egoísmo, Trauma, Ressentimento, Autopiedade, Medo, Covardia, Vitimismo venham cá que tem comida fresca no Pentagrama!" - Daê...Invoca ou faz de lôko e tenta banir tudo? Que que faz?
Quando dizemos que estamos dispostos a "dar todo seu amor a alguém"... Ai ai ai senta que lá vem coisa! Será mesmo? Será que aquilo que você chama de amor também é para o outro? E ele quer receber? Ou tá disposto a retribuir? Ou retribuir PARA VOCÊ? O que você tem dado? A que está disposto? Tudo? (Ah tá, cê jura? kkk)
Você também pode não querer estar disposto a oferecer nada. Por que não? Há fases na vida de todos em que não tem nada a oferecer exceto o corpo mesmo. Nem isso tem horas. Ou não ali. Lidemos!
A vida segue assim. Com vários desencontros, encontros de corpos, almas, cérebros, energias. Talvez tudo isso junto seja a fórmula do amô! Combinado com acaso, reações químicas, destino, conjunção astral ou sei lá eu o quê. E caso isso tudo aconteça não vai estar ali para sempre.A vida é movimento constante de partículas e pensamento. Tudo é mutável, etéreo e completamente instável. Solto no espaço e no tempo. Não tem como embrulhar e guardar para comer depois. Tá tudo ali e agora negada! As ilusões e as expectativas são nossas. O pavor da rejeição e do sofrimeeeeeeeento é nosso! Não do outro. Nem sabe e nem tá ligando às vezes e nem precisa estar. Não vai sofrer, te procurar, implorar nem queimar no inferno pelo que tenha ou você ache que ele tenha feito com seu coraçãozinho. Vai ficar em paz, achar outra pessoa ou outras pessoas e tocar a vida. E vamo pará por aqui com essa história de culpa porquê já deu para os próximos 2 milêniosss!!!
Taí o pontapé para o fundo do poço nosso de cada dia: nossas projeções sobre o que não se controla. E o serumaninho se caga de medo do que não pode controlar!! Voltando ao tema, eu acho bem difícil saber o que se quer de alguém que não conhece. As expectativas se quebram dentro da gente. Assim como teu gato morre envenenado, o feijão queima quando tá faminto, o chuveiro estraga na manhã de geada, um "amor" se esvai. Não Sartre, o inferno está dentro de nós! E como a gente adora isso, a zona de conforto mais aconchegante desse nosso mundo. Mas com tanta música bonita, tantos filmes, tantas bebidas gostosas, esse parque de diversões ou perversões todo para trazer algum tipo de esperança ou explodir com tudo de vez! Tudo conforme o gosto do freguês. Quem nunca saiu rodando pela sala depois de ler uma mensagem fofa que mudou o dia ou perdeu total o rumo e o senso de dignidade chutando almofada, ouvindo musicão drama maldizendo alguém ca vódega na mão no bar? Eitcha diliça!! Às vezes tudo que a gente "amava" era a catarse. A reação causada pelo externo. Necessidade de sentir, se emocionar com algo. De se sentir vivo de alguma forma. Ou morto mesmo.
Sexo, é forma mais impessoal de se relacionar com alguém. Pode começar com sexo, ser só sexo, ou nem sequer rolar sexo . A liberdade sexual é algo fantástico! Essas tantas formas de nos relacionar que estamos conquistando aos poucos! Desconstruímos tantos conceitos tacanhos e no entanto não temos a mínima ideia do que fazer da vida. Bem pior do que escolher sabor de pizza! Penso que deixamos de viver hipervalorizando sofrimento para mascarar medos e traumas atrelados a moralismos da herança da construção cultural, de aceitação e da necessidade quase insana do amor romântico. Se pensarmos BEM, na Idade Média nem as mães amavam seus filhos, eheheh. Implodir, explodir e se reconstruir é fundamental. para recconfigurar NOSSAS PRÓPRIAS convicções e limites, sem deixar te dizerem o que fazer nem como fazer. O bolo não tem receita quando os ingredientes caem do avião. Mistura tudo, te vira e vê o que que sai! Se "batumá" joga pro cachorro e nem anota receita fios!.
A liberdade de transar com quem queremos assim como a de não transar com ninguém também faz parte e deve merece qualquer tipo de explicação.
Life goes itself.
Num sei de nada não. Só tô aqui mesmo tocando o barco.
Bejasss