"Só a morte vem nos mostrar que amávamos muito mais profundamente do que supúnhamos" (Baudelaire)
[mas, se eu fosse como ele, com esse poder ou maldição, talvez escolhesse o mistério além da vida aos males tão sabidos]
O espírito penado do natal me faz lembrar de vc nesta época. Tudo lotado [supermercado e lojas iluminados horrivelmente com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar] - o último lugar do mundo onde você gostaria de estar - não dá nem para escapar daquele "boa tarde volte sempre" dito automaticamente em tom de morte. O tiro de misericórdia! Um breve resumo com gosto de peru e falsidade. Somos parecidas. Cada dia mais. Muito além do que eu pensava ser minha " confuguração padrão". Sobra tanta coisa para te contar em cada momento corriqueiro, gracioso, grandioso ou descartável e desprezivel nesse tempo todo eterno de 1 ano e tanto que passou desde que você foi embora. [no seco sem aviso prévio]
Queria te contar do meu trabalho novo, dos projetos que tenho para a casa e te ouvir discordando de cada detalhe deles. Te ouço criticando por eu ter arranjado mais um gato enquanto acaricia o bichinho apaixonada no colo. Queria que conhecesse meu namorado - aquela pessoa por quem eu esperei durante uns dez anos da minha vida. Um moço muito bonito e educado com quem vc adoraria trocar receitas e contar meu histórico de doenças desde antes de eu ter nascido. Fica aquela impressão de que vc sabia de tudo e deixou-se ir. Não julgo nem sinto raiva. Te entendo e te deixei ir sei lá para onde. É impossível chegar aos 30, 40, 50 ou...60 anos, sem querer dar um fim nisso tudo. Ou optar por um suicídio lento e silente. É sobre consciência – consciência do real e do essencial que estão escondidos na obviedade das coisas ao redor . Sobre esse milhão de mortes que você morreu antes de algum idiota qualquer ter carimbado o atestado de óbito! Eu lembro de todas as coisas que você me contava, - todos aqueles abusos e perversidades gratuitas - e me pergunto como vc permaneceu consciente e viva um dia depois do outro. Nesse tom aparentemente místico eu espero a cada noite adormecida uma nova visita. Como naquele sonho em que vc me chamou no quartinho de bagunça da casa para me contar que agora tudo estava tão bem e que não sentia mais dor [tantas dores físicas e emocionais]. Aquele abraço tão gostoso que era só sensação e saudade que ganhei acompanhado de um " filha que saudade!!" no banheiro de nossa antiga casa. Ia chorar mas acordei antes. Nunca gostei de chorar na frente dos outros. Nem mesmo que estejam mortos.
O espírito penado do natal me faz lembrar de vc nesta época. Tudo lotado [supermercado e lojas iluminados horrivelmente com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar] - o último lugar do mundo onde você gostaria de estar - não dá nem para escapar daquele "boa tarde volte sempre" dito automaticamente em tom de morte. O tiro de misericórdia! Um breve resumo com gosto de peru e falsidade. Somos parecidas. Cada dia mais. Muito além do que eu pensava ser minha " confuguração padrão". Sobra tanta coisa para te contar em cada momento corriqueiro, gracioso, grandioso ou descartável e desprezivel nesse tempo todo eterno de 1 ano e tanto que passou desde que você foi embora. [no seco sem aviso prévio]
Queria te contar do meu trabalho novo, dos projetos que tenho para a casa e te ouvir discordando de cada detalhe deles. Te ouço criticando por eu ter arranjado mais um gato enquanto acaricia o bichinho apaixonada no colo. Queria que conhecesse meu namorado - aquela pessoa por quem eu esperei durante uns dez anos da minha vida. Um moço muito bonito e educado com quem vc adoraria trocar receitas e contar meu histórico de doenças desde antes de eu ter nascido. Fica aquela impressão de que vc sabia de tudo e deixou-se ir. Não julgo nem sinto raiva. Te entendo e te deixei ir sei lá para onde. É impossível chegar aos 30, 40, 50 ou...60 anos, sem querer dar um fim nisso tudo. Ou optar por um suicídio lento e silente. É sobre consciência – consciência do real e do essencial que estão escondidos na obviedade das coisas ao redor . Sobre esse milhão de mortes que você morreu antes de algum idiota qualquer ter carimbado o atestado de óbito! Eu lembro de todas as coisas que você me contava, - todos aqueles abusos e perversidades gratuitas - e me pergunto como vc permaneceu consciente e viva um dia depois do outro. Nesse tom aparentemente místico eu espero a cada noite adormecida uma nova visita. Como naquele sonho em que vc me chamou no quartinho de bagunça da casa para me contar que agora tudo estava tão bem e que não sentia mais dor [tantas dores físicas e emocionais]. Aquele abraço tão gostoso que era só sensação e saudade que ganhei acompanhado de um " filha que saudade!!" no banheiro de nossa antiga casa. Ia chorar mas acordei antes. Nunca gostei de chorar na frente dos outros. Nem mesmo que estejam mortos.