Uma sombra cai. Meu anjo desaparece. Reconheço seus olhos verdes. Ele foi atraído para longe, para um de seus planos temerários.Viro e coço os olhos. Quando torno a me virar, já se foi. Quero gritar alto para que volte a brincar na grama comigo e me conte como foi seu dia. Isso não será possível.
Você sabe que oscila um pouco antes de tentar conseguir se equilibrar novamente...Sei que vai se virar e acenar para mim triunfante. Eu me viro e finjo alegria. Por nada no mundo deixo que veja minhas lágrimas. Eu virei o rosto. Não tive coragem de dizer que tudo ficaria bem. E talvez tudo fique mesmo, de outra forma.
A luz fraca do sol tremula pela janela. Por um instante vejo seu olhar. Era como de uma rainha! A luz dissolve e tudo desaparece.Ficam fragmentos de tantas lembranças emaranhadas como sua caixa de carreteis de costura.Desde que você começou a parecer cansada e seus olhos ganharam aquele brilho opaco que comecei a temer.
Sei de cor todas as perguntas que me fazia religiosamente todos os dias com a voz arredondada. Adulta passei a obedecer com a devoção de súdita. O negro monólogo se transformou em um arco-iris colorido em chuva de formas que saltavam em meus ouvidos.
Queria poder recriar a aura de todos aqueles tantos dias. O som de seus passos e da voz ao telefone. Queria poder te escrever contando meu dia e te ver com orgulho que de quem me torno a cada dia.
Vou tingir roupas, trocar as cortinas e pintar as capas das almofadas. Me alimentar bem, levar casaco e jamais esquecer da sombrinha! Em setembro os ipês amarelos florescerão em tua homenagem.