quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Sobre "AMÔRRRR" e outras doenças....

Rolando a timeline aleatoreamente me deparei com uma avalanche de teXtos, memes e posts sobre o Dia do Sexo. Viva a internê! E era amor, sexo, mágoa, chifre, indireta pra todo lado. Uia!!! Seguuuura o pom pom!!! E eu que acordei cedo demais para um feriado, comecei a pensar deitada no quentím da cama (e no cantím por causa do gato, e...percebam djá que tudo tem uma causa) sobre o tal de "AMORRRRR" (cuma?), uma, senão a maior das inquietações humanas sem qualquer dica de resposta.
A gente fala amor o tempo todo mas é cada pataquada! Não paramos para tentar entender um pouco do que isso significa. Da gama de possibilidades que a vida nos joga na cara todo santo dia. Ou da importância de amor para cada um. Se bota aí uma pitadinha de honestidade vai ver queisso tudo é muito íntimo, peculiar e beeem variável...
O que chamamos carinhosamente de "amor" é uma maneira de vestir, proteger e alimentar nossos demônios de estimação.E como a gente mima essa raça viu! - "Frustração, Carência, Solidão, Insegurança, Resignação, Mesquinhez, Ciúme, Egoísmo, Trauma, Ressentimento, Autopiedade, Medo, Covardia, Vitimismo venham cá que tem comida fresca no Pentagrama!" - Daê...Invoca ou faz de lôko e tenta banir tudo? Que que faz?
Quando dizemos que estamos dispostos a "dar todo seu amor a alguém"... Ai ai ai senta que lá vem coisa! Será mesmo? Será que aquilo que você chama de amor também é para o outro? E ele quer receber? Ou tá disposto a retribuir? Ou retribuir PARA VOCÊ? O que você tem dado? A que está disposto? Tudo? (Ah tá, cê jura? kkk)
Você também pode não querer estar disposto a oferecer nada. Por que não? Há fases na vida de todos em que não tem nada a oferecer exceto o corpo mesmo. Nem isso tem horas. Ou não ali. Lidemos!
A vida segue assim. Com vários desencontros, encontros de corpos, almas, cérebros, energias. Talvez tudo isso junto seja a fórmula do amô! Combinado com acaso, reações químicas, destino, conjunção astral ou sei lá eu o quê. E caso isso tudo aconteça não vai estar ali para sempre.A vida é movimento constante de partículas e pensamento. Tudo é mutável, etéreo e completamente instável. Solto no espaço e no tempo. Não tem como embrulhar e guardar para comer depois. Tá tudo ali e agora negada! As ilusões e as expectativas são nossas. O pavor da rejeição e do sofrimeeeeeeeento é nosso! Não do outro. Nem sabe e nem tá ligando às vezes e nem precisa estar. Não vai sofrer, te procurar, implorar nem queimar no inferno pelo que tenha ou você ache que ele tenha feito com seu coraçãozinho. Vai ficar em paz, achar outra pessoa ou outras pessoas e tocar a vida. E vamo pará por aqui com essa história de culpa porquê já deu para os próximos 2 milêniosss!!!
Taí o pontapé para o fundo do poço nosso de cada dia: nossas projeções sobre o que não se controla. E o serumaninho se caga de medo do que não pode controlar!! Voltando ao tema, eu acho bem difícil saber o que se quer de alguém que não conhece. As expectativas se quebram dentro da gente. Assim como teu gato morre envenenado, o feijão queima quando tá faminto, o chuveiro estraga na manhã de geada, um "amor" se esvai. Não Sartre, o inferno está dentro de nós! E como a gente adora isso, a zona de conforto mais aconchegante desse nosso mundo. Mas com tanta música bonita, tantos filmes, tantas bebidas gostosas, esse parque de diversões ou perversões todo para trazer algum tipo de esperança ou explodir com tudo de vez! Tudo conforme o gosto do freguês. Quem nunca saiu rodando pela sala depois de ler uma mensagem fofa que mudou o dia ou perdeu total o rumo e o senso de dignidade chutando almofada, ouvindo musicão drama maldizendo alguém ca vódega na mão no bar? Eitcha diliça!! Às vezes tudo que a gente "amava" era a catarse. A reação causada pelo externo. Necessidade de sentir, se emocionar com algo. De se sentir vivo de alguma forma. Ou morto mesmo.
Sexo, é forma mais impessoal de se relacionar com alguém. Pode começar com sexo, ser só sexo, ou nem sequer rolar sexo . A liberdade sexual é algo fantástico! Essas tantas formas de nos relacionar que estamos conquistando aos poucos! Desconstruímos tantos conceitos tacanhos e no entanto não temos a mínima ideia do que fazer da vida. Bem pior do que escolher sabor de pizza! Penso que deixamos de viver hipervalorizando sofrimento para mascarar medos e traumas atrelados a moralismos da herança da construção cultural, de aceitação e da necessidade quase insana do amor romântico. Se pensarmos BEM, na Idade Média nem as mães amavam seus filhos, eheheh. Implodir, explodir e se reconstruir é fundamental. para recconfigurar NOSSAS PRÓPRIAS convicções e limites, sem deixar te dizerem o que fazer nem como fazer. O bolo não tem receita quando os ingredientes caem do avião. Mistura tudo, te vira e vê o que que sai! Se "batumá" joga pro cachorro e nem anota receita fios!.
A liberdade de transar com quem queremos assim como a de não transar com ninguém também faz parte e deve merece qualquer tipo de explicação.
Life goes itself.
Num sei de nada não. Só tô aqui mesmo tocando o barco.
Bejasss 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Then life goes itself

Há momentos em que necessitamos escrever, assim como as nuvens pedem para chover e germinar as sementes. Mesmo em tempos de resilência. Com todos aqueles parafusos perdidos ao longo do caminho, é claro.
Você pode passar um tempo se perguntando por quê tudo têm acontecido. Pode se culpar o tempo todo. Pode inclusive culpar os outros mesmo sabendo que ninguém tem culpa de absolutamente porra alguma. A vida é mesmo essa sucessão caótica de erros e acertos, encontros e muitos desencontros. Um processo que não tem meio, propósito nem resultado. Só fim.
Acho engraçado quem tenta se definir e se explicar. Ninguém acerta tudo, sobretudo acerca de si mesmo. No fundo todos somos uma  colcha de retalhos daquelas estórias bobas de folhetins baratos enquanto cada um de nós carrega um mundo dentro de si.
O que fica? Uma saudade sem peso de saudade. Uma saudade leve e sem obsessão de detalhes que só aparecem nos sonhos mais secretos. Uma saudade impossível de ser sentida quando de fato existe saudade.  Enquanto a única certeza que carrego desta vida é a de não deixar nada para o fim.

Flyin' angels

Como alguns de vocês já sabem minha mãe descobriu há pouco tempo um câncer que se espalhou rapidamente. Junho foi o mês em que me ausentei do trabalho para fazer um tour por quase todos os hospitais da cidade. Descobri várias coisas inúteis como qual a melhor maneira de dormir em cadeiras de plástico sem torcer a coluna,conseguir receitas de analgésicos controlados me jogando na frente de médicos como quem em surto se joga na frente de carros, ou o jeito de driblar a copa e conseguir um pãozíiim no intervalo...entre várias outras bizarrices que daria um blog, caso interessasse a alguém. Aprendi também como pessoas que jamais se viram na vida podem ser amorosas e solidárias umas com as outras, Assim como a capacidade do bicho humano em ser asqueroso e detestável! Também me reconectei com pessoas queridas das quais os caminhos se separaram com o passar do tempo. E pessoas que se tornaram queridas e que jamais imaginei poder contar de várias formas. Fica aqui meu carinho e meu eterno agradecimento! Meu outro anjo da guarda desde antes do nascimento, Tia Iolanda, também voltou!
Então amiguinhos, hoje foi xeque-mate: o câncer venceu e minha mãezinha se foi. Em 1 MÊS! O que fazemos em 1 mês? Geralmente não muita coisa. Mas não foi bem assim. Cada dia parecia ter 100 horas e quando acordava não fazia a menor ideia de como e onde iria acabar. Era como atravessar um portal para qualquer parte,
A imagem que temos de um doente terminal é de alguém frágil deitado em um quarto decorado e um filho que chega de algum lugar. Eles se abraçam, choram, se perdoam e relembram fatos do passado até o outro dormir e não acordar mais,certo? Não. A vida não é como nos filmes. Especialmente para quem se trata pelo sistema público de saúde. São hospitais sucateados, médicos displicentes, profissionais mal preparados, muita, mas muita mesmo demora e espera. A ponto de agendar consulta com um paciente em estado grave sem o resultado do exame estar liberado! Não darei nomes aos bois nem às vacas embora a mão chegue a tremer!
Mas resumindo é muita irresponsabilidade e descaso. Cuidar de uma pessoa com metástases não é nada simples também. São dores que nem consigo sequer imaginar, pois não conseguia ajeitar um travesseiro sem minha mãe berrar de dor. É aprender a ministrar medicação, sondas, dietas especiais, trocar fraldas e cuidar como um bebêzinho de alguém que te cuidou e amou muito quando você era um bebêzinho. É pesquisar e brigar pelos seus direitos, ser petulante, aturar grosserias e ser expulsa o tempo todo de lugares por simplesmente querer ajuda por não aguentar ver a pessoa mais amada do mundo sofrendo daquele jeito. Só que para o resto do mundo ela só é mais uma velha moribunda como qualquer outra. E como isso te machuca e te enfurece!
A vida é essa coisa estranha que não sabemos onde começa, como acaba, para quê serve e o que tem depois. As explicações e respontas são inúmeras e cada um fica com a que mais lhe confortar. É para isso que servem as religiões: a ilusão de obtermos respostas para não pirar de vez!! E se não tiver nada além disso? E se essa planta aqui na janela for a reencarnação do avô de alguém? E se nossos queridos que se foram ficarem sentados em fofas nuvens acenando quando passamos de avião? Se "Deus" for um alienígena brincalhão que não tá nem aí pra nada? Tudo isso é muito perturbador. A ausência disso é pior ainda para a maioria das pessoas! Eu como questiono e desconfio de tudo por natureza, continuo achando tudo isso uma grande piada. Como aqueles filmes conceituais que terminam sem pé nem cabeça. Vai ver é isso mesmo...
Por enquanto é isso. Agora preciso cuidar dos detalhes burocráticos inerentes ao mundo material enquanto meu anjo (no sentido mais puro da palavra) viaja para algum lugar desconhecido.