Era
assim, meiga e bonita na sua ignorância de criança. Apesar era
autêntica, com uma maneira especial de ser Lena. E crescia como podia,
como planta daninha, que mesmo sem cuidado chegava a ser bela como
orquídea. Ia na igreja aos domingos e sexta na macumba.Queria ser
freira, mãe de santo e bailarina. Já mulher teria uma casa só sua,
enfeitada de quadros e bibelôs baratos.
Dentro também queria seu homem. Ela venderia flores ,escreveria versos
na estação e ele ficaria em casa. Faria qualquer coisa para que à noite
estivesse com ela. Ele e Lena. Lena a mais tudo que houver no mundo.A
mais mulher, a mais amante.No ônibus lotado ela sonhava. Sorria quando
lhe dirigiam gracejos. Passo lento, cadenciado, boca úmida, cabelos ao
vento, mais Lena do que nunca. Dançando no asfalto molhado, olhos
brilhando no neon, fada, santa, bailarina, meretriz,Lena, colhia flores,
possuía seu homem, pensava na casa,escrevia versos sem rima. Sonhava
assim, cada vez mais Lena.
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