quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Lena

Era assim, meiga e bonita na sua ignorância de criança. Apesar era autêntica, com uma maneira especial de ser Lena. E crescia como podia, como planta daninha, que mesmo sem cuidado chegava a ser bela como orquídea. Ia na igreja aos domingos e sexta na macumba.Queria ser freira, mãe de santo e bailarina. Já mulher teria uma casa só sua, enfeitada de quadros e bibelôs baratos. Dentro também queria seu homem. Ela venderia flores ,escreveria versos na estação e ele ficaria em casa. Faria qualquer coisa para que à noite estivesse com ela. Ele e Lena. Lena a mais tudo que houver no mundo.A mais mulher, a mais amante.No ônibus lotado ela sonhava. Sorria quando lhe dirigiam gracejos. Passo lento, cadenciado, boca úmida, cabelos ao vento, mais Lena do que nunca. Dançando no asfalto molhado, olhos brilhando no neon, fada, santa, bailarina, meretriz,Lena, colhia flores, possuía seu homem, pensava na casa,escrevia versos sem rima. Sonhava assim, cada vez mais Lena.


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